Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

FADIGA

Cansei-me de ver

burilado excessivo

em vocábulos toscos e grosseiros

peculiarmente ostentados…

Cansei-me da busca

da substância da vida

dominada por

línguas de malícia, na escuridão incandescente!

Encrespa-se a estercada

vanglória do fundamento nulo

Quero peneirar

para me libertar das palhas…

Quero nadar para outras margens…

Quero ver outras paisagens…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:37
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SÓ NO DICIONÁRIO O SUCESSO PRECEDE O TRABALHO

Será mau prenúncio

ou lapso demencial

colocar a máscara de candura

aquando do lado errado do cano de esgoto?

A não contestação do ancestral,

essa armadilha ortodoxa

que nos incute uma inoperante oralidade

disfarçada de cacho de rosas,

numa beleza visualmente controversa

talvez louvando a demanda da ociosidade de parasita

permite ao pensamento divagar por lado nenhum

aceitando esse féretro que enclausura…

Que verme não segmentado

se permite ser ladrão de pensamento

deixando o afluir das lascívias?

Que aves acordam,

numa afoita rudimentaridade avançada

e se abandonam ao capricho da chuva?

Afinal, neste imenso pecúlio cerebral

não é só o vento que não se preocupa com a sua caligrafia.

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:36
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REVOLTA

Terá esta gente memória de peixe?

Reinará, a indiferença mundana acomodada?

Onde está a educação e a formação?

Assistiremos pávidos e serenos

ao apodrecimento da pureza já tão perdida?

A que móbil interior poderemos apelar,

quando, com uma precisão cirúrgica,

a amoralidade suplanta os bons costumes?

Seremos prisioneiros

dos silêncios eternos e inoportunos,

adormecendo ante o ribombar de problemas e emoções?

Rebelamo-nos demonstrando o descontentamento gélido

ou contemplamos apenas as exéquias da nossa história?

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:31
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TRIUNFO DA IRRACIONALIDADE

Aqui estou em sã demência

vislumbrando vultos iluminados pela lua

onde ao calor de uma carícia

se opõe a brisa aromatizada com odores de crisântemos

meu ser

de modernidade primitiva

elaboradamente esculpido

vislumbra com hipnotizadora nitidez

a esquálida vida

que teima em atravessar seus muros

líquido insensato carmesim me aflora o rosto

silhueta obscura de um aroma recortado na aurora

arrastando ansiedade e raiva

de nuvens sombrias

que ocultam o sol de uma manhã perfeita

há o gemido a percorrer o corpo

a percorrer a chave do cofre da mente

viro costas às recordações

a lua esconde-se detrás das nuvens

o gelo da bruma invade os ossos

a um ritmo compassado

os olhos como brasas do desespero

os lábios formando palavras

das profundezas de ruínas submissas…

Triunfa da irracionalidade!

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:27
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DEMANDA

por vezes buscamos em nós

respostas a questões sem nexo

numa interminável demanda

da utopia absoluta

de um ser desconexo

numa razão do músculo cardíaco

cega e inabalável

defraudamos o nosso ser

num infinito de húmidas labaredas

e num pensamento ridículo

conclui-se somente

que nos abandonámos algures no oco do universo

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:26
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ENCRIPTADA

na sombra vespertina do crepúsculo

num céu riscado por nuvens preguiçosas

escuto taciturna

o som do sol nascendo e aquecendo a terra

o inaudível som das flores quando se abrem

as ervas bebendo o orvalho da noite

...

permito a carícia da chuva no rosto

encriptada em sentimentos mudos

sem ouvir mágoas

desejos

e opiniões...

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:21
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AFIVELAR

Olhei-me com verdade e que a sinta

essa pureza inculta de meu ser

neste ser desafortunado

nesta vida mumificada

a saudade é inútil

incauta a ânsia…

Uma unha raspou o mármore

nos labirintos do pensamento

e num borrifado dengoso

afivelei o ar mais distante deste mundo.

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:17
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ESPERTINA

Não conseguia dormir e apeteceu-me gritar.

Um grito completo do coração

Talvez afronta ao espírito,

Essa ladeira pedregosa do caminho da mente.

Insurgir-me contra a falsa luz da lua

Que se reflecte num lago inconsciente de serenas águas…

Surgiram meras palavras glaciais de sentido,

Sons inclementes de soluços exaustos,

Chuviscos desvanecidos de ecos estridentes…

Inclemente esta dor sórdida.

E num movimento animalesco

Um aperto de mandíbula

Monopolizou meu pensamento.

E neste mimosear de palavras cruas

Fiquei com um crédulo olhar intrigado de diamante multicor…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 20:16
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POEMA VAZIO

Já não tenho a energia de um cavalo de corrida

nem tão pouco sua ágil insensatez…

Minhas folhas têm margens farpadas.

Sigo adornada

de um véu inexpressivo no olhar.

A esse soluço exausto,

respondo com um olhar inclemente

tais duas janelas vazias para o nada na cabeça…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.))

publicado por Edite Gil às 20:07
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